sábado, 29 de janeiro de 2011

50 anos fora da Terra

A inércia para conseguir sair de casa foi enorme. Depois de uma bruschetta que eu preparei, acompanhada por uma Paulaner (só tomei um copo, é verdade), ar condicionado tinindo e "Bonitinha, mas ordinária" na TV (hipnotizando meu marido, que sabe de cor as cenas... "Eu sou contínuo e o senhor é um bom fdp!!")... Nossa, tava difícil sair. Mas fomos fortes!

Pagode da Arruda
O primeiro pit stop foi no Pagode da Arruda. Já chegamos bem tarde (começava as 18:00 e já eram 23:00...) e só pegamos os sambas-enredos, músicas de festa junina, etc. Mas é um programa mega barato (mulher não paga até as 21:00 e homem paga "7 real") e com o samba redondinho. Estava mega animado, com o pessoal dançando quadrilha e tudo. Ah! Achado no Rio de Janeiro: tem estacionamento e, pasmem, gratuito!


Lá tem o Butekim do Terreirinho que serve churrasquinho e outros quitutes, além de ter cerveja de garrafa. Não experimentei nenhuma comidinha, vai ficar para a próxima. A unica bola fora é que eu queria uma água - e tinha acabado. Minha famosa Coca-Cola Zero, também não tinha. Nenhuma bebida light. Acabei bebendo a Coca-Cola natural, como diz nosso amigo Amorim...
(para quem quiser ir, fica no Centro Cultural Calouste Gulbenkian, na Praça Onze e rolas às 6as feiras).


Saímos de lá e resolvemos dar uma passada na Lapa para ver como estava. Minha sensação é que fui para Marte e retornei ao planeta Terra 50 anos depois. Lo-ta-do!!!! Todas as tribos que se possa imaginar: jovens, velhos, grunges, emos, patricinhas e mauricinhos, vendedores ambulantes, gringos, gays, combinações de duas ou mais categorias, tudo misturado!

Passamos pelo Rival e estava rolando festa black regada a James Brown. Fundição lotada para o show do Pedro Luis. Circo Voador tocando música eletrônica. Um grupo tocando samba perto dos Arcos. E aí, ao entrar na Mem de Sá... Ufa! Muita informação... Todos os bares com música ao vivo, samba, funk, salsa, música baiana (?). E eu que comecei a freqüentar a Lapa quando só tinha Semente, depois Carioca da Gema, Sacrilégio e Odisséia. E a gente lambia os beiços!

Com certa dificuldade de andar pelo meio da multidão, chegamos ao Bar da Boa. Não rolou. Lotação esgotada. Ainda não foi dessa vez, mas está na minha lista. Continuamos a andar, um calorzão (e eu lembrando do meu ar condicionado de casa...sinal da idade...)... Quando, de repente, avistamos um oásis! Nossa salvação, um porto seguro, quase a sensação de chegar em casa... Lá nada mudou nesses 50 anos que fiquei fora da Terra! Olha a foto e tenho certeza que você irá reconhecer:

Se você é carioca, ou já esteve na Lapa, TEM que reconhecer essa parede...

Bolinho de bacalhau do Nova Capela
Ai, o Capela! Que saudade do cabrito e arroz com brócolis as 4 da manhã... Ele continua lá, disponível, rápido e delicioso... O bolinho de bacalhau (esse eu gosto) serviu para mandar a dieta as favas (de novo??? isso não vai dar certo...) e matar um pouco da minha fome. Na hora de ir embora, respirei fundo, abri a porta, passei por um portal que faz a gente viajar no tempo e voltei para a realidade. Acho que isso é coisa de gente mais velha mesmo... "Na minha época, era diferente"... mas isso foi há 50 anos atrás...rs

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Entre Tapas

Eu já fui a Fernando de Noronha. Nem é preciso dizer o que é aquilo...o paraíso na terra! Antes de conhecer a ilha, todo mundo avisava: "Você tem que conhecer PRIMEIRO Natal. Depois parta para Noronha. Se você inverter a ordem, tudo que vem depois vai parecer sem graça - o que não é verdade!".

Pois ontem fomos no Entre Tapas, em Botafogo. E o bar, super charmosinho que fica na Rua Conde de Irajá virou Natal. Não que ele não seja aconchegante, os petiscos não sejam gostosos, etc. Mas depois do Venga, meu referencial mudou.
Várias coisas estão no cardápio de ambas. A Água de Valência, por exemplo. Uma delícia! Mas não ganhou do Venga.
Mas ok, peraí. Vou tentar esquecer da minha experiência anterior e tentar filtrar o que achei muito bom aqui.

Para começar o atendimento é show de bola! Super atenciosos e rápidos. Tem uma mesa altona que é compartilhada entre vários desconhecidos e que é bem bacana. A decoração é simples mas bem legal, com quadros negros nas paredes com as sugestões de cardápio escritas com giz.
O único porém ficou por conta do calor: um garçom informou que uma das mesas solicitou que ele fosse desligado, e assim foi feito. Dá para entender? UMA mesa está com frio e todo o restaurante tem que ficar no calorzão desse Rio de meu Deus? Mega furo, na minha opinião.

Ah! E os petiscos... O que provamos: para começar tomei um Gazpacho Andaluz (sopa fria de tomate, pepino, crouton e crocante de jamon). Muito boa! Deu vontade de tentar fazer a receita em casa... O croquete de bacalhau (foto) não chega aos pés do servido no Venga! e não achei uma boa pedida... ainda mais para mim que não sou nem um pouco chegada em bacalhau (com raríssimas exceções). Depois provei um camarão delicioso! Chamado Gambas com Tomatitos (foto). Super aprovado.


Broquetas de bacalao, para os íntimos

Gambas com Tomatitos
Favas contadas
Fechei a noite em alto estilo: às favas com a dieta! Há muito tempo não uso essa expressão, mas não tinha escapatória aqui... Aliás, tem outra expressão que nem lembrava mais: "São favas contadas". Fui pesquisar e descobri a origem dessas expressões (ver no fim deste post). Voltando as favas com poder nutritivo (rs)... acho que foi a melhor pedida da noite, acompanhada por um espumante bem geladinho. Ai, ai, ai. Muito bom. Só a descrição já dá água na boca: favas salteadas com cebola em brunoise, azeite aromatizado de alho e jámon serrano espanhol...

No final das contas, Natal não é Fernando de Noronha mas é muito bom. Entre Tapas não é o Venga! mas me diverti muito, experimentei novos quitutes, bebidinhas gostosas e curti meu maridão numa noite pós-trabalho. Nada mal, não?

ORIGEM DA EXPRESSAO "MANDAR AS FAVAS"!!!

"Segundo Câmara Cascudo, antigamente, votava-se com as favas brancas e pretas, significando sim ou não. Cada votante colocava o voto, ou seja, a fava, na urna. Depois vinha a apuração pela contagem dos grãos, sendo que quem tivesse o maior número de favas brancas estaria eleito." Daí vem expressões como "favas contadas" (negócio certo) e "mandar as favas" (parar de discutir e mandar a julgamento, a pleito, a votação, mas que depois tomou tom pejorativoe significou mandar a mer..enfim) - fonte: http://drfravio.blogspot.com/2009/09/origem-da-expressao-mandar-as-favas.html




segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Fagulha ainda é uma fagulha...mas tem potencial...

Olá!

Essa semana fui a um novo restaurante, aqui de Laranjeiras (ou seria Catete?). É o Fagulha Steak House. Para dizer a verdade, ele não começou nada bem...mas até que terminou com vários pontos positivos. Deixa eu explicar a razão.

Chegamos bem tarde, no domingo - às 22:50. O manobrista, que já estava batendo em retirada disse que a casa já estava fechando. Quase desistimos, mas resolvi perguntar. Não, não estava fechando. Enquanto o maridão estacionava, a recepcionista disse que em 10 minutos o rodízio de pizzas acabaria. Já comecei a não gostar: quando eu perguntei pela primeira vez, a informação teria que ser completa, do tipo: "O restaurante não está fechando, temos buffet de saladas, pratos quentes, comida japonesa e carnes. No entanto, o rodizio acaba em 10 minutos". Isso era o que eu esperava.

Tudo bem, a gente não queria pizza mesmo, fomos atrás da casa pelo nome: Steakhouse! Nham, nham, nham. Ah! E da decoração que, pelo lado de fora, parecia ser bem bacana. E era mesmo, ótima também para ir com grupos grandes... meio Outback, sabe? Tem até aquela cebola bem fat que eu adoro (foto ao lado)!

Pedimos carnes que são vendidas em peças, a quilo e me servi no buffet. Achei que esse deixa um pouco a desejar no sabor. Faltou um temperinho mais caprichado. Mas as carnes... que delícia! Compensam pelo resto. "Diliucia"!

O ponto negativo é que, certamente porque a casa ainda é nova (abriu há 4 meses) os garçons estão totalmente perdidos, você sente no ar que eles não sabem muito bem o que estão fazendo ali. Ao pedirmos uma Eisenbahn Pilsen, o garçom nos olhou como se tivéssemos falando alemão e pediu que outro, mais esperto fosse traduzir aquele pedido.

No fim das contas, salvaram-se todos. Mas ficou a promessa de que essa fagulha ainda vire o fogaréu que eu esperava.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Venga!


Ontem, domingão, fui ao Venga!, na Rua Dias Ferreira, Leblon. Já tinha ouvido falar nesse bar, quase tinha ido uma ou duas vezes, mas sempre alguma outra opção tomava a sua frente. Ai, se eu soubesse!
Foi tudo tão perfeito: desde a vaga para estacionar bem em frente - o que não é nada comum na Dias Ferreira - até a hora de ir embora. Tudo correu perfeitamente bem. E o bar é SUPER aconchegante: dá uma olhada na foto aí ao lado.

Calamari
Comecei pedindo um simples pão com tomate e um singelo Ice Tea. A fome era grande e eu queria algo que saísse bem rapidinho. E esse acabou sendo o item que ficou em último dentre os pedidos da noite.
O maridão pediu calamari e água de Valencia. O primeiro, sequinho, seguinho, com um molho romanesco divino (foto). Recomendado! E a tal da Água de Valencia? Me deixou transtornada: uma jarra de 500 ml merece ser pedida.



Croquete de paella
Depois, já com menos fome, fui estudando o cardápio com calma e pedi um espetinho de file mignon. Foi uma tsunami: depois dele veio a tortilla de camarão, croquete de paella, bolinho de bacalhau, tartar de salmão... a gente não queria mais sair de lá. Encerramos a conta e abrimos de novo, só para tomar mais uma jarra de sangria (espumante + refrigerante de limão + frutas), super refrescante nesse verão carioca. Fora o som super bem selecionado ao fundo.



Espetinho de file
Ah! Só para quem acha que essa comida toda foi exagero, essa é a idéia dos "tapas"... comidinhas em porções pequenas, a gente vai comendo e experimentando o que os amigos pediram, batendo papo e deixando o tempo passar mais devagar. Ou parar.  Então, trata-se de um estilo de comer e de socializar. A História por trás disso: na Espanha, os vinhos eram servidos com um prato em cima para não deixas as moscas, poeira, etc, caírem dentro do copo. Nesse prato sempre vinha um pedaço de pão, queijo, presunto, enfim... uma comidinha. Daí vem o nome.

Fomos embora querendo ficar, com o bar já nos chamando de volta: Venga! Eu vou, com certeza!


Que delícia de blog!

Olá!

Mas é muita pretensão mesmo já começar a escrever por aqui e dar esse título ao primeiro post... Mas é que ainda estou com os sabores dos tapas que levei na boca... Opa, opa! Calma, eu explico! É que fui ontem ao Venga!, bar de tapas que fica aqui no Leblon, Rio de Janeiro.

Mas antes de falar sobre o Venga!, quero dizer para mim mesma (tendo em vista que sou a unica que me lê por aqui), que a idéia do blog e guardar na memória todos os bons momentos que tenho nos botecos, restaurantes e afins dessa vida - afinal, minha memória anda cada vez mais curtinha.

E assim, começo minha vida de bloggeira. Espero que escrever por aqui seja mais fácil do que encontrar um nome e um endereço para esse blog: parece que todo mundo já pensou antes no que eu queria! Apesar de não ser grande freqüentadora de botecos, nem bebedora de cerveja, adoro uma baixa gastronomia (não dispenso a alta também, não!) e por isso o nome Boteco & Cia... E aí, meu bem, nesse "Cia" cabe tudo que Deus quiser!

E vamo que vamo!